Quando comecei o projeto, os produtos digitais da empresa já faziam parte da operação, mas haviam evoluído de forma independente ao longo dos anos.
O website, o sistema interno e o aplicativo resolviam necessidades diferentes, porém cada um seguia sua própria lógica de navegação, organização das informações e regras de negócio. Na prática, isso criava uma experiência fragmentada tanto para os clientes quanto para as equipes internas.
Essa falta de continuidade gerava retrabalho, dificultava o acompanhamento das solicitações e aumentava a dependência de processos manuais em etapas importantes, como contratação, renovação de apólices e atendimento.
Mais do que melhorar interfaces, o desafio era conectar esses produtos para que passassem a funcionar como um único ecossistema.
Atuei como Product Designer durante a reestruturação da experiência digital da WSimões, conectando as necessidades dos usuários às regras do negócio e aos processos internos da corretora.
Meu trabalho foi entender como cada produto participava da jornada do cliente e identificar onde a experiência se rompia entre um canal e outro.
Ao longo do projeto atuei em parceria com lideranças, equipes comerciais, operação e tecnologia para estruturar jornadas mais consistentes e apoiar decisões que impactavam não apenas a interface, mas também o funcionamento da operação.
Minhas principais responsabilidades envolveram:
Antes de propor qualquer solução, conversei com lideranças, equipes operacionais e usuários envolvidos nas etapas de contratação, renovação e atendimento.
Embora cada grupo relatasse dificuldades diferentes, todas apontavam para o mesmo problema.
A experiência se quebrava quando o usuário precisava transitar entre website, sistema interno e aplicativo.
Durante a pesquisa identifiquei alguns padrões recorrentes:
Ficou claro que não adiantaria melhorar um produto isoladamente. Enquanto cada canal continuasse evoluindo de forma independente, a experiência permaneceria fragmentada.
Decisões que direcionaram o projeto
Os aprendizados da pesquisa serviram como base para algumas decisões importantes.
A principal mudança foi abandonar a visão de website, sistema interno e aplicativo como soluções separadas.
As decisões passaram a considerar a jornada completa do cliente, independentemente do canal utilizado.
O mercado de seguros possui particularidades que não podem ser simplificadas apenas pela interface.
Em vez de esconder essa complexidade, buscamos organizá-la de uma forma mais clara para usuários e equipes internas.
Cada seguradora possuía regras próprias.
Por isso, estruturamos fluxos capazes de acomodar essas diferenças sem que fosse necessário reconstruir a experiência para cada cenário.
Sempre que possível, as decisões buscaram diminuir atividades manuais e tornar a jornada mais autônoma para clientes e colaboradores.
Com as decisões definidas, o trabalho passou a conectar os diferentes pontos da experiência.
A arquitetura da informação foi reorganizada para criar continuidade entre aquisição, contratação, renovação e atendimento.
Também estruturamos fluxos compartilhados entre website, sistema interno e aplicativo, permitindo que informações e decisões acompanhassem a jornada do usuário em vez de permanecerem restritas a um único canal.
Outro ponto importante foi organizar as regras de negócio dentro da própria experiência, reduzindo ambiguidades e facilitando tanto a operação quanto futuras evoluções do produto.
Evolução da experiência
Cada produto passou a desempenhar um papel mais claro dentro do ecossistema.
O website deixou de ser apenas um canal institucional e passou a atuar como porta de entrada para novas oportunidades comerciais.
O sistema interno foi reorganizado para reduzir redundâncias, simplificar tarefas frequentes e oferecer maior visibilidade sobre os processos.
Já o aplicativo evoluiu para oferecer mais autonomia ao cliente durante toda a jornada.
Entre as principais melhorias estavam:
A reorganização da experiência também refletiu diretamente na interface dos produtos.
Ao longo do projeto revisamos a hierarquia das informações, padronizamos padrões de interação e reorganizamos fluxos para reduzir a carga cognitiva durante tarefas recorrentes.
As interfaces passaram a compartilhar uma linguagem visual mais consistente entre website, sistema interno e aplicativo, facilitando a navegação e reforçando a sensação de continuidade entre os diferentes canais.
Além da evolução visual, o trabalho buscou tornar cada decisão de interface mais alinhada às necessidades da operação e às regras específicas do mercado de seguros.
Um exemplo importante: renovação de apólices
Um dos maiores desafios do projeto era o processo de renovação.
Até então, grande parte desse trabalho dependia do acompanhamento manual da equipe comercial, que monitorava vencimentos e iniciava contatos individualmente.
A proposta não era simplesmente automatizar esse processo.
O objetivo era estruturar uma jornada contínua, permitindo que clientes acompanhassem cada etapa com mais clareza enquanto a equipe ganhava previsibilidade e reduzia atividades repetitivas.
Essa mudança ajudou a transformar uma operação altamente dependente de intervenção manual em um fluxo mais organizado e preparado para crescer.
A reestruturação do ecossistema trouxe benefícios percebidos tanto pelos clientes quanto pelas equipes internas.
A navegação ficou mais consistente entre os diferentes produtos, reduzindo dúvidas durante a contratação, renovação e acompanhamento de solicitações.
Internamente, a reorganização das jornadas diminuiu retrabalho, aumentou a visibilidade sobre os processos e facilitou a evolução dos produtos sem que fosse necessário reconstruir fluxos a cada nova necessidade.
Além dos ganhos operacionais, a maturidade do ecossistema passou a ser utilizada pela própria liderança da empresa como demonstração da evolução digital da corretora em apresentações para clientes e parceiros.
Aprendizados
Esse projeto reforçou uma percepção que continua presente na forma como trabalho.
Em mercados regulados, simplificar nem sempre significa remover etapas. Muitas vezes significa organizar a complexidade para que ela faça sentido para quem utiliza o produto.
Também aprendi que produtos diferentes podem oferecer uma única experiência quando compartilham a mesma lógica de navegação, os mesmos princípios e uma visão comum da jornada do usuário.
Foi um projeto que ampliou minha visão sobre integração entre produto, operação e negócio, mostrando que boas decisões de experiência começam muito antes do desenho das interfaces.
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