Quando participei do projeto, o Camarão Santista vivia um momento de crescimento acelerado.
Novos canais de venda surgiam, a operação aumentava de volume e o negócio começava a ganhar escala. O problema era que a estrutura operacional ainda funcionava de forma muito manual.
Estoque, catálogo, precificação e canais digitais evoluíam quase sempre de maneira independente, exigindo ajustes constantes das equipes e aumentando o risco de inconsistências para clientes e colaboradores.
Ficou claro que criar novos canais digitais não resolveria esse cenário.
O desafio era estruturar uma operação capaz de acompanhar o crescimento do negócio sem aumentar proporcionalmente sua complexidade.
Atuei como Product Designer conectando as necessidades da operação, dos usuários e do negócio em uma visão única de produto.
Antes de discutir soluções, mergulhei na rotina da empresa para entender como pedidos, estoque, precificação e atendimento se relacionavam no dia a dia.
Ao longo do projeto participei das decisões relacionadas à arquitetura da operação digital, organização das jornadas, integração entre canais e definição da experiência omnichannel.
Minhas principais responsabilidades envolveram:
As primeiras análises mostraram que o principal obstáculo para o crescimento não estava na aquisição de clientes.
O problema era estrutural.
Grande parte da operação dependia de processos manuais e diferentes sistemas trabalhavam sem compartilhar uma mesma lógica.
Durante a pesquisa apareceram alguns padrões claros.
A principal conclusão foi simples.
O negócio não precisava de mais tecnologia.
Precisava de uma operação preparada para crescer.
Decisões que direcionaram o projeto
Os aprendizados da pesquisa orientaram algumas decisões importantes.
Em vez de concentrar esforços no site ou no aplicativo, passamos a olhar para toda a cadeia operacional.
As melhorias começaram na estrutura do negócio e não na interface.
Criar uma fonte única de informação
Grande parte das inconsistências acontecia porque estoque, produtos e preços eram atualizados em diferentes lugares.
Organizar esses dados em uma estrutura única passou a ser uma prioridade.
A experiência do cliente só seria consistente se refletisse uma operação igualmente consistente.
Por isso, diversas decisões buscaram aproximar processos internos e canais digitais.
Mais do que resolver os problemas atuais, o projeto precisava criar uma base capaz de absorver novos canais, produtos e iniciativas sem aumentar continuamente a complexidade operacional.
A solução foi construída sobre três pilares.
Produtos, estoque e precificação passaram a compartilhar uma única estrutura de informação.
Backoffice e canais digitais passaram a trabalhar de forma mais conectada, reduzindo retrabalho e inconsistências.
Website e aplicativo foram estruturados sobre a mesma lógica operacional, garantindo continuidade entre os diferentes pontos da jornada do cliente.
Essa abordagem permitiu atacar a origem dos problemas em vez de apenas corrigir seus sintomas.
Evolução da experiência
Com a operação mais organizada, foi possível evoluir também a experiência dos clientes.
Os fluxos de compra foram simplificados, a organização das informações ficou mais consistente e website e aplicativo passaram a compartilhar comportamentos semelhantes.
Além disso, o alinhamento entre estoque, catálogo e disponibilidade tornou a navegação mais previsível, reduzindo situações em que a experiência digital não refletia a realidade da operação.
Evolução da interface
A interface foi redesenhada para acompanhar a nova estrutura operacional.
Ao longo do projeto revisamos a arquitetura das informações, organizamos os fluxos de navegação e criamos uma experiência mais consistente entre website, aplicativo e backoffice.
Também trabalhamos na definição de componentes reutilizáveis e padrões de interação que facilitassem futuras evoluções dos produtos.
Cada decisão visual buscava tornar processos complexos mais simples para clientes e equipes internas.
Nem todas as decisões priorizavam ganhos imediatos.
Em alguns momentos foi necessário escolher entre acelerar entregas ou fortalecer a estrutura da operação.
Sempre que possível, optamos por decisões que preparassem o negócio para crescer de forma mais sustentável, mesmo que isso significasse abrir mão de soluções rápidas no curto prazo.
Esse equilíbrio ajudou a construir uma base mais consistente para futuras expansões.
A reorganização da operação trouxe benefícios que foram percebidos tanto pelas equipes internas quanto pelos clientes.
A gestão de estoque, catálogo e precificação tornou-se mais consistente entre os diferentes canais, reduzindo retrabalho e aumentando a previsibilidade da operação.
Além disso, a nova estrutura permitiu que o negócio incorporasse novas iniciativas e ampliasse sua atuação digital sem aumentar proporcionalmente a complexidade dos processos internos.
Mais do que lançar novos produtos digitais, o projeto criou uma base preparada para acompanhar o crescimento da empresa de forma mais organizada.
Aprendizados
Esse projeto reforçou uma percepção que continua presente na forma como trabalho.
Crescimento digital não acontece apenas quando novos canais são criados.
Ele depende principalmente da capacidade de conectar operação, dados e experiência em uma mesma estratégia.
Também ficou claro que boas interfaces têm pouco impacto quando a operação que sustenta o produto continua fragmentada.
Desde então, sempre procuro entender primeiro como o negócio funciona antes de pensar na melhor solução para o usuário.
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Atuação remota com alcance nacional e internacional