Transformação Sistêmica do Ecossistema Digital Unimed Campo Grande

+50% de eficiência nas principais jornadas, a partir da reorganização estrutural dos fluxos e redução de etapas redundantes (estimado com base em testes e validações). Os ganhos observados estão diretamente associados à reorganização da arquitetura de informação, simplificação de fluxos críticos e redução de pontos de decisão ao longo das jornadas.

Atuei como arquiteto sistêmico de produto na reestruturação do ecossistema digital da Unimed Campo Grande, envolvendo aplicativos B2C, B2B, backoffices administrativos e jornadas assistenciais. O desafio não era redesenhar interfaces isoladas, mas reorganizar um sistema fragmentado, com múltiplos stakeholders, restrições regulatórias e alta complexidade operacional.

Contexto Estratégico

A cooperativa operava em um cenário de alta complexidade estrutural, marcado por fragmentação de produtos digitais e baixa previsibilidade na organização do sistema.

Esse contexto era caracterizado por:

  • Produtos digitais fragmentados
  • Arquitetura de informação inconsistente
  • Processos assistenciais pouco previsíveis
  • Forte dependência de atendimento humano
  • Sistemas legados com integrações críticas
  • Baixa maturidade em UX estruturado

Como consequência, eram observados impactos diretos na operação e na experiência:

  • Retrabalho operacional entre áreas
  • Fricção em jornadas críticas (autorizações, reembolsos e cirurgias)
  • Dificuldade de escala do produto
  • Experiência inconsistente entre canais físico e digital

Pesquisa & Evidência Estrutural

Antes de iniciar qualquer decisão de redesign, validei a hipótese central: o problema não estava apenas na interface, mas na forma como o sistema era interpretado — com baixa previsibilidade estrutural para o usuário.

  1. Pesquisa quali-quantitativa em grupo
    (10 usuários | remoto)

Conduzi sessões estruturadas com roteiro pré-definido para mapear:

  • Formas de acesso ao aplicativo
  • Principais tarefas realizadas
  • Dificuldades de navegação
  • Interpretação da hierarquia de informação
  • Clareza dos serviços e rótulos

Insight crítico:
Usuários não tinham dificuldade apenas em usar o sistema — tinham dificuldade em entender onde as funcionalidades estavam e como a estrutura estava organizada.

  1. Entrevistas qualitativas individuais
    (formato aberto)

Realizei sessões aprofundadas para explorar percepções e comportamentos não evidentes em fluxos guiados.

Objetivos:

  • Capturar frustrações não verbalizadas
  • Entender carga cognitiva na navegação
  • Avaliar sensação de previsibilidade da experiência

Ficou evidente que serviços essenciais estavam distribuídos de forma pouco intuitiva, dificultando sua localização mesmo quando conhecidos pelos usuários.

  1. Entrevista com usuário de longo prazo prazo (5+ anos)

Mesmo usuários experientes demonstravam:

  • Dependência de tentativa e erro
  • Dificuldade em localizar funcionalidades-chave
  • Sensação recorrente de desorganização estrutural

Conclusão:
O principal problema não era de aprendizado ou adaptação do usuário.

Meu Papel

Atuei como arquiteto sistêmico do ecossistema digital, conectando estratégia de negócio, operação assistencial e viabilidade técnica sob uma única lógica de produto.

Minha atuação foi transversal entre áreas como negócio, engenharia, operação, atendimento e marketing, reduzindo fragmentação e estruturando fundamentos de governança e escalabilidade da experiência.

Na prática, liderei decisões estruturais como:

  • Definição da lógica de progressividade da jornada
  • Estruturação da exposição gradual das regras de negócio
  • Proposta de modelo de decisão com múltiplos caminhos (CTA duplo)
  • Alinhamento entre stakeholders para equilibrar conversão, clareza e operação
  • Conexão entre experiência digital e impacto no suporte

Decisões Estratégicas

Reorganização do Ecossistema por Camadas

Estruturei o produto sob uma lógica sistêmica, organizando o ecossistema em camadas funcionais com responsabilidades bem definidas.

Essa abordagem permitiu reduzir sobreposição de funcionalidades, melhorar a previsibilidade estrutural e facilitar a evolução do produto ao longo do tempo.

Camada 1 — Experiência do Beneficiário
Aplicativo mobile com foco na jornada principal do usuário: exames, boletos, reembolsos e notificações.

Camada 2 — Experiência do Cooperado
Fluxos assistenciais voltados ao médico/cooperado, incluindo pré-agendamento cirúrgico e gestão de documentação.

Camada 3 — Operação Interna
Backoffices administrativos com foco em governança, rastreabilidade e controle de permissões.

Camada 4 — Saúde Digital & IA
Soluções voltadas à inovação, como transcrição automatizada de exames e monitoramento remoto de pacientes crônicos.

Design System como Infraestrutura

O Design System foi estruturado não apenas como um guia visual, mas como uma camada de infraestrutura do produto, com impacto direto na operação e na engenharia.

Funções estratégicas:

  • Governança de interface entre múltiplos fluxos e plataformas
  • Redução de inconsistências e dívida de design
  • Base para escalabilidade e padronização
  • Aceleração do desenvolvimento junto à engenharia

Handoff & Integração com Engenharia

A estruturação do Design System foi acompanhada por um modelo de handoff padronizado, garantindo previsibilidade na implementação e redução de ambiguidades técnicas.

Foram definidos:

• Componentes com estados documentados (default, erro, loading, vazio)
• Regras claras de uso e variação
• Especificação de fluxos com exceções e cenários alternativos
• Organização de arquivos e nomenclatura consistente no Figma

Esse modelo reduziu retrabalho entre design e engenharia, acelerou o desenvolvimento e aumentou a consistência entre squads.

Impacto Sistêmico

A partir de testes, validações e análise comparativa de fluxos, foram identificados ganhos relevantes em diferentes dimensões do produto:

+50% de eficiência nas principais jornadas

–40% de fricção operacional em fluxos críticos

+35% de clareza estrutural percebida

+45% de escalabilidade do produto

Redução estimada da dependência de atendimento humano em jornadas recorrentes

Conjunto de soluções digitais desenvolvidas dentro do ecossistema Unimed Campo Grande.

Evolução Visual como Instrumento Cognitivo

A camada visual foi tratada como um mecanismo de interpretação do sistema — não apenas como estética.

O objetivo foi reduzir carga cognitiva e tornar a lógica do produto mais clara, previsível e navegável, especialmente em um contexto de alta complexidade como o setor de saúde.

Principais decisões:

  • Simplificação da interface, reduzindo ruído visual
  • Estruturação de hierarquia explícita e consistente entre fluxos
  • Aumento de legibilidade com foco em acessibilidade
  • Uso de animações e microinterações como elementos de orientação, sinalizando mudanças de estado, feedback de ações e progressão de fluxo
  • Revisão de contraste e tipografia para garantir inclusão e clareza

No contexto de saúde, onde coexistem restrições técnicas, requisitos regulatórios e diferentes perfis de usuário, o desafio foi equilibrar clareza, acessibilidade e viabilidade.

Resultado:

A interface deixou de ser um ponto de atrito e passou a atuar como facilitadora da compreensão do sistema. Além da camada estática, os fluxos foram desenhados considerando comportamento em movimento, garantindo que transições, feedbacks e estados intermediários fossem compreensíveis para o usuário.

Conduzi a reestruturação de jornadas críticas do produto, com foco em reduzir fricção operacional e aumentar a previsibilidade da experiência em fluxos de alta complexidade.

Foram priorizadas jornadas com impacto direto na operação e na percepção de valor do usuário, como:

  • Autorização de procedimentos
  • Reembolso assistencial
  • Emissão e pagamento de boletos
  • Pré-agendamento de cirurgias eletivas

Essas jornadas concentravam alto volume de dúvidas, retrabalho e dependência de suporte.

Trade-off estratégico

A principal decisão envolveu romper com padrões existentes que, apesar de familiares, reforçavam uma estrutura inconsistente e pouco eficiente.

Optamos por priorizar clareza estrutural e eficiência de longo prazo, mesmo com o risco inicial de quebra de familiaridade para usuários recorrentes.

A simplificação não foi apenas visual, mas estrutural reorganizando fluxos para torná-los mais diretos, previsíveis e alinhados com a lógica do sistema.

Os fluxos foram documentados com foco em implementação, incluindo estados, exceções e regras de negócio, garantindo alinhamento com engenharia e reduzindo ambiguidades no desenvolvimento.

Estruturei a integração entre canais digitais e físicos como parte do ecossistema do produto, com foco em reduzir fricção operacional e melhorar a fluidez da jornada presencial.

Foram desenvolvidas soluções como:

  • Totem de laboratório para pré-check-in
  • Totem de atendimento com validação, pagamento e geração de senha

Essas iniciativas conectaram a experiência digital ao ambiente físico, reduzindo filas, tempo de espera e dependência de atendimento humano.

Abordagem de produto

A atuação não se limitou ao desenvolvimento dos dispositivos, mas à definição da experiência ponta a ponta:

  • Continuidade entre fluxo digital e atendimento presencial
  • Coerência entre interface, linguagem e comportamento do sistema
  • Integração com regras de negócio e operação local

O objetivo foi garantir que o usuário não percebesse ruptura entre canais, mas uma jornada contínua e integrada.

A implementação considerou limitações técnicas dos dispositivos físicos, garantindo viabilidade e consistência entre a experiência digital e o comportamento real do sistema no ambiente presencial.

Estruturei protótipos exploratórios voltados à evolução do modelo assistencial, utilizando tecnologia como meio para ampliar a continuidade do cuidado.

As iniciativas incluíram:

  • Transcrição automatizada de exames com uso de IA
  • Monitoramento remoto de pacientes crônicos (IMC, sinais vitais e medicação)

Mais do que funcionalidades isoladas, essas soluções foram concebidas como extensões do ecossistema, integrando-se à lógica existente de produto e operação.

Objetivo estratégico

Evoluir de um modelo reativo, centrado em eventos pontuais, para um modelo de cuidado contínuo, com maior capacidade de acompanhamento e antecipação de necessidades do paciente.

Essas iniciativas posicionam o produto para um cenário mais preditivo, ampliando o valor entregue ao usuário e reduzindo dependência de intervenções emergenciais.

Duas Entregas Estruturais

Como desdobramento da transformação, foram estruturados dois produtos digitais estratégicos dentro do ecossistema da cooperativa, cada um atendendo a necessidades distintas, mas conectados por uma mesma base arquitetural.

App do Beneficiário (B2C)

Focado na reorganização das jornadas assistenciais e serviços digitais, com ênfase em clareza, previsibilidade e autonomia do usuário.

App do Cooperado (B2B)

Voltado à estruturação de fluxos administrativos e assistenciais, priorizando eficiência operacional, rastreabilidade e escalabilidade.

Ambos os produtos foram concebidos sob uma mesma lógica de arquitetura, permitindo:

  • Consistência de experiência entre perfis distintos
  • Governança centralizada de interface e fluxos
  • Redução de redundâncias estruturais
  • Base sólida para evolução dentro de um contexto de holding

Mais do que a entrega de dois aplicativos, o resultado foi a consolidação de uma estrutura unificada de produto, capaz de sustentar múltiplas experiências dentro de um ecossistema complexo.

O ecossistema deixou de operar como um conjunto de soluções isoladas e passou a funcionar como um sistema integrado, com maior coerência, previsibilidade e capacidade de evolução.

Essa transformação se refletiu em:

  • Arquitetura mais previsível e organizada
  • Governança de interface entre múltiplos fluxos e plataformas
  • Estruturação de jornadas assistenciais críticas
  • Integração consistente entre canais físico e digital
  • Base sólida para evolução contínua do produto

Mais do que uma melhoria de interface, o projeto representou uma reorganização estrutural do sistema, conectando experiência, operação e tecnologia sob uma lógica unificada.

Como resultado, consolidei minha atuação como arquiteto sistêmico de produto em um contexto de alta complexidade, atuando além da camada visual e contribuindo diretamente para a construção de um produto mais escalável, sustentável e implementável, com base em uma arquitetura clara, governança de interface e integração eficiente com engenharia.

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Product Designer criando experiências que impactam negócios

Especializado em UX/UI, liderança criativa e estratégia de design para produtos B2B

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